sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quando sou orvalho

Estou ali
caindo
em infinitas
gotas
no telhado

quando chovo
determino
que a primavera
floresça
nos campos
(mesmo que nas
brechas escuras
do cimento)

A ordem é que
a fruta do amor
amadureça no
coração do homem
ao canto
do primeiro
pássaro
da manhã

domingo, 26 de janeiro de 2014

Trovão

O trovão cala a
voz
de todos

É um aceno
(aceso
com a luz do raio)
sonoro
e inevitável

No trovão
Deus nos
avisa:

o céu
também
é
caos

sábado, 11 de janeiro de 2014

a flecha
do tempo

disparada pelo
anjo

alvejou
o coração
do tigre

sangra
uma saudade
seca
nas estrelas
apagadas
que habitam
o céu
de minha
boca

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Enigma

Brilha um insulto
no clarão do seu olhar
e sua boca se mantém
           i m ó v e l

O beijo inexistente
abre meu peito
em chagas cobertas
de folhas secas
e vazios

e um ninho de pássaros
brota de minhas costas
pássaros alçam voo
para o céu mais desejado:
o do esquecimento






sábado, 4 de janeiro de 2014

O olho cego da coruja

A coruja
observa
(noturnamente)
a existência
com seu olhar
de lâmina

Tal qual a ave
percebo a vida
no escuro
de dias ensolarados

Porque é na lua
que verte o branco
em prata
que bronzeio
meu coração
farto de dia
vivo de noite


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A voz do mar

O mar
que delira
em meus olhos
consome o tempo
em suas
ondas impermanentes

Da orla de meus
ouvidos
deslizam peixes
e uma sereia
faz carinho
em meu peito
com sua cauda
perfumada

E tento
(em vão)
fazer com que
a música
das águas
soe mais alto
que sua voz


Paraty - RJ - 23/12/13