sábado, 11 de janeiro de 2014

a flecha
do tempo

disparada pelo
anjo

alvejou
o coração
do tigre

sangra
uma saudade
seca
nas estrelas
apagadas
que habitam
o céu
de minha
boca

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Enigma

Brilha um insulto
no clarão do seu olhar
e sua boca se mantém
           i m ó v e l

O beijo inexistente
abre meu peito
em chagas cobertas
de folhas secas
e vazios

e um ninho de pássaros
brota de minhas costas
pássaros alçam voo
para o céu mais desejado:
o do esquecimento






sábado, 4 de janeiro de 2014

O olho cego da coruja

A coruja
observa
(noturnamente)
a existência
com seu olhar
de lâmina

Tal qual a ave
percebo a vida
no escuro
de dias ensolarados

Porque é na lua
que verte o branco
em prata
que bronzeio
meu coração
farto de dia
vivo de noite


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A voz do mar

O mar
que delira
em meus olhos
consome o tempo
em suas
ondas impermanentes

Da orla de meus
ouvidos
deslizam peixes
e uma sereia
faz carinho
em meu peito
com sua cauda
perfumada

E tento
(em vão)
fazer com que
a música
das águas
soe mais alto
que sua voz


Paraty - RJ - 23/12/13

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Vertigem em São Paulo

escaparam aos olhos
o lume verde de ausência
em corvos que sobrevoam a carniça
de um sentimento que já nasceu morto

a água comunica
com seu brilho escuro
que todas as coisas finitas
passam por sua sentença líquida
e se transpõem em brilho
na chama que emana das nuvens
em tardes quentes
abafadas no escritório
de  gavetas do esquecimento

meus olhos ardem
no vermelho turvo que emana
de suas unhas que coçam minh’alma
viver é sufocar o espinho do desengano a cada passo

como um arcanjo dizimado
desbravo abismos dançantes na minha memória
onde o vivido e a vontade que acontecesse
se confundem numa película irremovível
cuja sessão acontecerá póst mortem
num cinema da boca do lixo
nas unhas gastas de São Paulo