segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Me abrace
perceba que
meu ombro
sempre aguardou
o repouso
de sua cabeça

É neste peito
que vou tecer
o travesseiro
de nossas vidas

Te observar
dormir
me faz acordar
e perceber
que zelar o seu
sono
é a maior sorte
que eu poderia ter
A luz se faz
água
quando o círculo
de fogo (sol)
vai embora

E então
as luzes da cidade
dançam nos nossos olhos
e nos mostram
que a vida
abre portais fotográficos
a cada vida que se
encerra
num piscar de olhos
A vida
 é uma
 ida
(doída)
e sem voltas

Ambiguidade das Flores

Plantei no jardim
do esquecimento
as memórias
que fazem o meu
coração bater
com defeito

E regando o plantio
com lágrimas
percebo que
só me tenho
em vida
quando a flor
da morte
- num instante
se abre

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Água cinza

E se o barco dos olhos
não for forte
para a tempestade de lágrimas
que naufraga em seu peito?

O mar está sempre visível
aos pés de quem quer senti-lo.

Amar é sempre possível
aos corações que dormem
em brasa
mesmo no corte seco
do nada evocado pela ausência
de quem se espera.

Terra à vista

O abismo é perto
de qualquer
passo próximo.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

E você que
está aí
(e também aqui)

Porque se enforca
nessa corda de fogo
que é o silêncio?

Não percebe que
os dias se perdem
como o calor
da saudade
de quem se vai?