quinta-feira, 13 de março de 2014

entre o beijo
e a plataforma
um
a
   b
      i
        s
           m
                o

Pessoas no metrô
esperam
temerosas
pela porta
 automática
que só abrirá
na estação
errada

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quando sou orvalho

Estou ali
caindo
em infinitas
gotas
no telhado

quando chovo
determino
que a primavera
floresça
nos campos
(mesmo que nas
brechas escuras
do cimento)

A ordem é que
a fruta do amor
amadureça no
coração do homem
ao canto
do primeiro
pássaro
da manhã

domingo, 26 de janeiro de 2014

Trovão

O trovão cala a
voz
de todos

É um aceno
(aceso
com a luz do raio)
sonoro
e inevitável

No trovão
Deus nos
avisa:

o céu
também
é
caos

sábado, 11 de janeiro de 2014

a flecha
do tempo

disparada pelo
anjo

alvejou
o coração
do tigre

sangra
uma saudade
seca
nas estrelas
apagadas
que habitam
o céu
de minha
boca

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Enigma

Brilha um insulto
no clarão do seu olhar
e sua boca se mantém
           i m ó v e l

O beijo inexistente
abre meu peito
em chagas cobertas
de folhas secas
e vazios

e um ninho de pássaros
brota de minhas costas
pássaros alçam voo
para o céu mais desejado:
o do esquecimento






sábado, 4 de janeiro de 2014

O olho cego da coruja

A coruja
observa
(noturnamente)
a existência
com seu olhar
de lâmina

Tal qual a ave
percebo a vida
no escuro
de dias ensolarados

Porque é na lua
que verte o branco
em prata
que bronzeio
meu coração
farto de dia
vivo de noite