Os galos
no quintal
de Gullar
comem o milho
plantado na roça
do poema.
A palavra escorre
no olhar duro
e frio
de um galo
que precisa declamar
o poema
de única sílaba.
quinta-feira, 13 de março de 2014
O branco que antecede o poema
A palavra
aterrissou
na paisagem
(branca)
do papel
Solitária
percebeu a
infinidade fértil
do terreno
Como num parto
a caneta abre
na carne do papel
palavra
por
palavra
para constituir
um sentido
ao pensamento
(torto)
do poeta
aterrissou
na paisagem
(branca)
do papel
Solitária
percebeu a
infinidade fértil
do terreno
Como num parto
a caneta abre
na carne do papel
palavra
por
palavra
para constituir
um sentido
ao pensamento
(torto)
do poeta
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Quando sou orvalho
Estou ali
caindo
em infinitas
gotas
no telhado
quando chovo
determino
que a primavera
floresça
nos campos
(mesmo que nas
brechas escuras
do cimento)
A ordem é que
a fruta do amor
amadureça no
coração do homem
ao canto
do primeiro
pássaro
da manhã
caindo
em infinitas
gotas
no telhado
quando chovo
determino
que a primavera
floresça
nos campos
(mesmo que nas
brechas escuras
do cimento)
A ordem é que
a fruta do amor
amadureça no
coração do homem
ao canto
do primeiro
pássaro
da manhã
domingo, 26 de janeiro de 2014
Trovão
O trovão cala a
voz
de todos
É um aceno
(aceso
com a luz do raio)
sonoro
e inevitável
No trovão
Deus nos
avisa:
o céu
também
é
caos
voz
de todos
É um aceno
(aceso
com a luz do raio)
sonoro
e inevitável
No trovão
Deus nos
avisa:
o céu
também
é
caos
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
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