sexta-feira, 21 de junho de 2013

Cantiga

A neblina se evapora para dar lugar às tempestades de cores que se movimentam em mim quando sou agraciado pelos seus olhos. O tempo se revela doloroso inimigo na perpetuação de todo instante de sua ausência.

Uma nova linha tece o bordado de meu desejo, tão singelo no clarão de seu sorriso. Vai ver que é por isso, que sempre que me despeço, já começo a te imaginar novamente.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Para
e escuta
a existência.

Bate-volta

Difícil jogar água em amor que arde em transtornada labareda. Você me pede amor, mas não se certificou se o pedaço de carne que bombeia e cospe sangue dentro de mim, funciona. Ele bate por um pedido de socorro do meu corpo, mas a verdade é que uma praga (de amor) rara passou por aqui e deixou o espaço em irreversível desordem. Um amor incurável não se esquece com um arremedo sentimental.
Exercício
de se observar
envelhecer
é ficar
em frente
ao espelho
e esperar
que o reflexo
não nos obedeça
e assim
desfaça de vez
o absurdo
da vida refletida

Olhar a porta

Uma música
no quarto
(o mais inabitado
da casa)

O som está
(dentro)
e a porta
aberta

Quando se
olha muito
uma porta
(aberta)
projetamos chegadas
improváveis
daqueles que já partiram

sexta-feira, 10 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Espaços

Na luz dos dias
a vida segue escavando raiz
em fotografias
                          coloridas
                                             de saudades

regurgitando faltas 
alimentando vazios

vamos em frente.